No Primeiro Dia Como CEO, A Secretária Do Meu Marido Me Expulsou Do Elevador-dieuphuong

Quando Jang viu Shiaoza sair da sala de reuniões, correu para ficar ao lado dele como se precisasse imediatamente de proteção. A voz que, minutos antes, tinha usado para humilhar uma funcionária agora estava doce, quase carinhosa.

— Presidente Shiao, não foi nada importante. Só uma novata.

Ela apontou para mim.

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— Uma estagiária.

Meu marido acompanhou o gesto e finalmente me encontrou no meio do corredor.

Eu não expliquei quem era.

Também não perguntei sobre o relógio branco no pulso de Jang.

Depois de dez anos de casamento, eu queria descobrir o que ele faria quando ninguém lhe dissesse qual resposta dar.

Shiaoza ficou olhando para mim por alguns segundos.

Jang esperava que ele a defendesse.

Os funcionários esperavam o mesmo.

Eu apenas permaneci onde estava.

A primeira coisa que meu marido fez foi olhar para o relógio.

Foi rápido, mas eu percebi.

Jang também percebeu.

Ela cobriu o pulso com a outra mão.

— O que está acontecendo aqui? — Shiaoza perguntou.

— Ela tentou entrar no elevador executivo — respondeu Jang. — Eu expliquei a política da empresa, mas ela se recusou a obedecer.

— E você sabe quem ela é?

Jang sorriu de leve.

— Uma estagiária nova. Ainda nem deve saber como funcionam as regras daqui.

Shiaoza não respondeu imediatamente.

Eu conhecia aquele silêncio.

Durante dez anos, aprendi a reconhecer as pequenas pausas do homem que dividia comigo uma casa, uma rotina e uma vida que, naquele momento, parecia muito menos conhecida do que eu imaginava.

— Ela não é estagiária — disse ele.

A expressão de Jang mudou.

Os funcionários ao redor se entreolharam.

— Presidente Shiao, talvez o senhor esteja confundindo…

— Não estou.

Ele voltou os olhos para mim.

— Ela é minha esposa.

A frase atravessou o corredor sem precisar ser repetida.

Jang ficou imóvel por um instante.

Depois soltou uma risada curta, como se tivesse entendido errado.

— Sua esposa?

Shiaoza não respondeu.

Eu também não.

A mulher que minutos antes dizia que todos os funcionários do presidente passavam pela avaliação dela agora olhava para mim como se tivesse acabado de perder o chão que acreditava controlar.

Mas eu ainda não queria aquela vitória.

Havia uma pergunta muito maior.

Apontei discretamente para o pulso dela.

— Onde você conseguiu esse relógio?

Jang fechou a mão sobre o acessório.

— É meu.

— Eu sei que é seu. Quero saber quem lhe deu.

Ela olhou para Shiaoza.

Foi uma fração de segundo.

Mas foi suficiente.

Ele também viu.

— Tong Tong — disse ele, em voz baixa.

O apelido que eu tinha acabado de ouvir pela primeira vez agora parecia carregar uma intimidade que não combinava com a versão de marido que eu conhecia.

Jang respirou fundo.

— O senhor mesmo disse que eu merecia.

Meu marido ficou sério.

— Eu disse isso?

Ela percebeu o erro tarde demais.

Eu não precisei perguntar novamente.

No mês anterior, eu tinha escolhido aquele modelo para minha sogra. Havia apenas dez unidades no mundo, e eu tinha pedido a Shiaoza que finalizasse a compra porque estava ocupada demais para fazer o pedido pessoalmente.

Ele prometera cuidar disso.

Agora, diante de mim, a secretária usava exatamente o relógio que deveria ter chegado às mãos da mãe dele.

Jang tentou recuperar o controle.

— Presidente Shiao, ela está fazendo uma acusação sem prova.

— Eu não fiz acusação nenhuma — respondi.

Tirei o celular da bolsa.

Não para mostrar uma gravação.

Não havia gravação.

Eu apenas abri uma imagem que ainda estava salva no aparelho: a fotografia do modelo que eu havia enviado a Shiaoza quando pedi que comprasse o presente.

Coloquei a tela diante dele.

— Foi este modelo que eu pedi.

Ele olhou para a tela.

Depois para o pulso de Jang.

Dessa vez, não desviou.

A secretária deu um passo para trás.

— Eu posso explicar.

— Então explique — disse ele.

Ela abriu a boca, mas não respondeu.

Um dos funcionários que tinha assistido à humilhação no elevador baixou os olhos.

A funcionária que havia sido repreendida por Jang mais cedo tomou coragem para falar.

— Ela sempre faz isso.

Jang virou-se imediatamente.

— Fique quieta.

A mulher se encolheu.

Eu a interrompi.

— Não.

Jang me encarou.

— Você não manda nela.

— E você acha que manda?

Foi a primeira vez que ela perdeu a segurança.

Shiaoza olhou para os dois lados do corredor.

— Quero saber há quanto tempo essa política do elevador existe.

Ninguém respondeu.

A funcionária que havia falado antes explicou que o elevador de serviço não passava do 63º andar.

Acima disso, quem precisava circular entre os departamentos tinha de subir cinco andares pelas escadas.

Shiaoza franziu a testa.

— Quem criou essa regra?

A resposta veio de Jang.

— Eu administro o acesso aos executivos.

— Não foi o que perguntei.

Ela ficou quieta.

Foi então que percebi que o relógio talvez não fosse a única coisa que ela havia recebido de alguém.

A autoridade também havia sido entregue a ela.

Durante anos, ninguém tinha questionado.

Ela não era apenas uma secretária convencida de sua importância.

Tinha construído um espaço dentro da empresa em que os funcionários acreditavam que contrariá-la significava contrariar o próprio presidente.

E meu marido tinha permitido que essa impressão existisse.

Isso doeu mais do que o relógio.

— Shiaoza — falei.

Ele levantou os olhos.

— Você sabia que ela tratava os funcionários assim?

Jang tentou interromper.

— Presidente…

Ele levantou a mão.

— Deixe ela falar.

Eu não queria uma declaração romântica.

Não queria que ele escolhesse minha versão apenas porque eu era sua esposa.

Queria saber se ele assumiria responsabilidade pelo que acontecia dentro da empresa que acabara de me entregar.

— Eu soube de algumas reclamações — respondeu ele.

— E fez o quê?

Ele não respondeu.

A pergunta ficou entre nós.

Dessa vez, não havia uma reunião para interrompê-la.

Não havia cliente esperando.

Não havia desculpa para sair.

Jang olhou para ele, depois para mim.

— Você voltou para a empresa só para criar problemas?

Eu quase sorri.

Quase.

— Eu voltei para administrar a empresa.

Ela não entendeu.

Shiaoza entendeu.

— Você ainda não contou a ela? — perguntou.

— Não.

Jang alternou o olhar entre nós.

— Contou o quê?

Meu marido deu um passo para o lado.

Pela primeira vez naquela manhã, ele não ficou ao lado dela.

Ficou diante de mim.

— A nova CEO assume hoje.

Jang empalideceu.

Os funcionários começaram a compreender ao mesmo tempo.

Eu tinha voltado à sede naquele dia para assumir o cargo máximo da empresa.

E a primeira pessoa que tentou me expulsar do prédio tinha sido justamente a mulher que acreditava controlar o acesso ao meu marido.

Mas ainda faltava resolver o relógio.

Shiaoza olhou para Jang.

— Tire isso do pulso.

Ela segurou o relógio com força.

— Presidente…

— Agora.

Jang obedeceu.

O relógio passou da mão dela para a de Shiaoza.

Ele ficou alguns segundos segurando o objeto.

Então se virou para mim e o estendeu.

Eu não peguei.

— Não é meu — disse.

— É da minha mãe — respondeu ele.

— Era para ser.

Ele entendeu a diferença.

Abaixou a mão.

E naquele momento percebi que a decisão sobre o casamento não seria tomada naquele corredor.

Mas a decisão sobre a empresa seria.

Peguei o crachá que estava no bolso do meu blazer e o entreguei ao responsável pelo controle de acesso.

— A partir de hoje, ninguém perde o direito de circular por causa da roupa que está usando.

Ele recebeu o crachá.

A antiga regra do elevador terminaria naquele mesmo dia.

Jang continuou parada ao lado de Shiaoza, sem o relógio.

Ele não a defendeu.

Mas também não explicou por que havia permitido que ela chegasse tão perto.

Essa resposta eu teria de cobrar dele depois.

Antes disso, havia uma empresa inteira esperando para descobrir o que aconteceria quando alguém finalmente dissesse não à mulher que todos tinham aprendido a obedecer.

E, naquele primeiro dia, eu já sabia que o problema não tinha começado com um elevador.

Tinha começado muito antes, quando meu marido entregou confiança demais à pessoa errada e achou que eu nunca perguntaria onde ela estava sendo usada.

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