Na Manhã Do Divórcio, O Enjoo De Alina Fez Dorian Mudar De Decisão-dieuphuong

Quando Dorian perguntou pela última menstruação de Alina, ela percebeu que não conseguiria esconder o que vinha tentando negar havia duas semanas.

Ele continuava inclinado no banco traseiro do SUV preto, sem tocá-la.

Alina manteve os braços cruzados e os olhos presos à janela, enquanto Chicago passava sob a luz cinzenta do fim do inverno.

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— Eu não sei — repetiu.

Dorian não acreditou.

Mas, pela primeira vez naquela manhã, também não tentou obrigá-la a responder.

— Vamos descobrir no hospital.

A frase deveria ter soado apenas como uma ordem.

Não soou.

Havia medo na voz dele.

E isso deixou Alina ainda mais assustada.

Ela havia chegado ao escritório de advocacia para assinar o fim de um casamento de três anos.

Agora, o homem que passara seis meses se afastando dela estava sentado à sua frente, tratando cada sinal do corpo dela como se pudesse mudar alguma coisa que ele ainda não entendia.

Talvez pudesse.

O hospital particular apareceu poucos minutos depois.

Dorian entrou com ela, falou rapidamente com um administrador e conseguiu que uma sala particular fosse preparada no andar de cima.

Alina deveria ter protestado.

Em vez disso, sentou-se na maca e segurou as próprias mãos.

Seu estômago estava embrulhado.

Sua garganta estava seca.

E, pela primeira vez, a possibilidade que ela vinha evitando ganhou peso suficiente para ocupar toda a sala.

Bebê.

Ela não sabia se queria ouvir aquela palavra.

Também não sabia se conseguiria suportar a reação de Dorian.

Seis meses antes, talvez tivesse corrido para os braços dele.

Agora, não sabia sequer se o homem diante dela ainda era o marido que fazia panquecas ruins aos domingos.

A porta se abriu.

A Dra. Elaine Mercer entrou com uma expressão tranquila e olhou primeiro para Alina.

— Sra. Cross?

Alina assentiu.

Dorian se levantou.

— Ela está passando mal há duas semanas.

A médica olhou para ele por um instante e depois voltou a atenção para Alina.

— Vamos conversar primeiro com você.

Foi uma frase simples.

Mas Dorian imediatamente recuou.

Alina percebeu.

Ele estava acostumado a controlar salas inteiras.

Naquele momento, aceitou ficar do outro lado da porta.

A médica fez algumas perguntas.

Quando perguntou sobre o atraso, Alina finalmente admitiu a data.

Ela sabia exatamente.

Sempre soube.

A Dra. Mercer pediu um exame.

Pouco depois, voltou com os resultados iniciais.

Alina olhou para o rosto dela antes de olhar para qualquer papel.

— Você está grávida.

A palavra não trouxe alívio.

Também não trouxe alegria imediata.

Trouxe um silêncio pesado dentro dela, como se todas as noites contando datas, todos os sintomas ignorados e todas as explicações que inventara tivessem acabado de se transformar em uma única realidade.

Dorian estava do lado de fora.

Alina fechou os olhos.

Por alguns segundos, pensou no bebê.

Depois pensou no divórcio.

Depois pensou em Dorian.

A médica continuou explicando o que precisaria ser feito, mas Alina quase não ouviu.

Até que a porta se abriu novamente.

Dorian entrou.

Ele olhou para Alina.

Depois para a médica.

— É sério?

A Dra. Mercer respondeu com calma.

— Ela está grávida.

Dorian não reagiu como Alina imaginara.

Não sorriu.

Não comemorou.

Não perguntou sobre o divórcio.

Apenas ficou parado, absorvendo a informação.

Então olhou para Alina.

— Há quanto tempo você sabe?

— Eu não sabia.

Ele acreditou.

Talvez porque a conhecesse melhor do que ela gostaria.

Talvez porque também estivesse tentando entender como aquilo podia ter acontecido justamente na manhã em que os dois pretendiam assinar o fim do casamento.

Mas a gravidez não apagava os seis meses anteriores.

Alina não deixou que ele esquecesse isso.

— Isso não muda o que você fez comigo.

Dorian baixou os olhos.

— Eu sei.

A resposta foi tão rápida que ela quase perdeu o fôlego.

Ele não discutiu.

Não tentou usar o bebê para fazê-la voltar.

E isso foi justamente o que tornou tudo mais complicado.

— Então por que você cancelou o divórcio? — ela perguntou.

Dorian levantou os olhos.

— Porque eu não vou assinar nada enquanto você estiver passando por isso sem saber o que está acontecendo.

— Isso não é uma resposta.

— É a única que posso dar agora.

Alina ficou olhando para ele.

Durante seis meses, havia imaginado centenas de explicações para o afastamento.

Nenhuma parecia suficiente.

Dorian se aproximou apenas um passo.

— Eu precisava que você estivesse longe de mim.

Ela sentiu a antiga ferida abrir novamente.

— Você poderia ter dito isso.

— Não poderia.

— Por quê?

Ele ficou em silêncio por um momento.

Então respondeu:

— Porque, se você soubesse o motivo, teria ficado.

Alina sentiu um arrepio percorrer os braços.

— E você não queria que eu ficasse?

— Eu queria exatamente o contrário.

A médica percebeu que aquela conversa não terminaria ali e saiu para dar privacidade aos dois.

Alina continuou olhando para Dorian.

Agora havia uma nova pergunta entre eles.

Não era mais apenas por que ele tinha pedido o divórcio.

Era o que ele estava tentando protegê-la de todo esse tempo.

Dorian tirou o celular do bolso.

Na tela havia uma mensagem recebida poucos minutos antes.

Ele leu.

Seu rosto mudou.

Alina percebeu imediatamente.

— O que aconteceu?

Ele guardou o aparelho.

— Nada que você precise enfrentar agora.

Ela quase riu de nervoso.

— Você acabou de me dizer que estávamos nos divorciando. Depois descobrimos que estou grávida. E agora você recebe uma mensagem que faz você parecer assustado.

Dorian apertou a mandíbula.

— Alina…

— Não.

Ela segurou o braço da maca e desceu os pés para o chão.

— Se isso envolve o motivo pelo qual você passou seis meses me afastando, eu tenho o direito de saber.

Dorian a encarou.

Dessa vez, não havia uma ordem pronta.

Havia uma decisão.

Ele caminhou até a porta, verificou o corredor e voltou.

— Há seis meses, alguém começou a usar você para chegar até mim.

Alina sentiu o sangue gelar.

— Quem?

— Ainda não sei.

— E o divórcio?

— Foi para fazer parecer que você não tinha mais nenhuma ligação comigo.

Ela ficou sem palavras.

A explicação não consertava nada.

Mas mudava a pergunta.

Dorian não a tinha abandonado porque deixara de amá-la.

Talvez tivesse tentado fazê-la desaparecer da vida dele para mantê-la viva.

E, se aquilo fosse verdade, havia uma razão para ele ter sentido medo ao vê-la vomitar naquela manhã.

A gravidez tinha acabado de criar uma ligação que ele passara meses tentando esconder.

Dorian olhou para a porta mais uma vez.

— Agora eles sabem.

Alina entendeu antes que ele explicasse.

— Eles sabem do bebê?

Ele não respondeu.

Pegou o celular novamente.

A mensagem continuava na tela.

Dessa vez, Dorian não a escondeu.

Alina leu apenas a primeira linha.

E percebeu que o divórcio que deveria terminar naquela manhã talvez tivesse sido a única coisa mantendo-a fora de perigo.

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