Garçonete Encontra Chefe Da Máfia Preso Em Galpão E Descobre Traição-dieuphuong

Quando Maeve virou a luva encharcada pelo punho, percebeu que havia alguma coisa presa na parte interna do couro, e o homem ferido imediatamente entendeu que aquela descoberta poderia revelar quem o havia traído.

Ela não tirou o estilete da mão.

O Cane Corso permanecia ao lado dela, ainda molhado, respirando com dificuldade depois de passar sabe-se lá quanto tempo preso àquela corrente.

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—O que tem aí? —Maeve perguntou.

O homem tentou se apoiar melhor contra a parede do galpão, mas uma dor atravessou seu rosto e ele desistiu.

—Vira a luva pelo punho.

Maeve obedeceu devagar.

Um pequeno objeto metálico caiu na palma de sua mão.

Era uma chave curta, pesada, presa a uma pequena peça de metal marcada por riscos de uso.

O homem fechou os olhos por um instante.

—Essa chave não deveria estar com ele.

—Com quem?

Ele não respondeu de imediato.

Maeve olhou para a chave, depois para o cachorro.

O animal estava olhando para o homem.

Não havia medo naquele olhar.

Havia reconhecimento.

—Você disse que sabe quem fez isso —ela falou.

—Agora tenho certeza de quem ajudou.

—Ajudou quem?

—A pessoa que me colocou aqui.

Maeve sentiu o estômago apertar novamente.

Ela conhecia histórias demais sobre aquele homem para ignorar o significado de suas palavras.

Diziam que ele tinha gente espalhada por negócios, depósitos e ruas da cidade.

Diziam que ninguém contrariava suas ordens duas vezes.

Mas, naquela noite, ele não parecia um homem que controlava alguma coisa.

Parecia apenas alguém que havia sido deixado para morrer.

E o detalhe que mais incomodava Maeve era justamente a chave.

Ela não estava ali por acaso.

O homem pediu que ela a entregasse.

Maeve fechou os dedos.

—Ainda não.

Ele levantou os olhos.

—Você não confia em mim.

—Não conheço você.

—Isso é mais inteligente do que parece.

Foi a primeira resposta dele que soou quase normal.

Maeve guardou a chave no bolso do avental.

—Então comece falando a verdade.

O homem respirou fundo.

—Poucas pessoas sabiam onde eu estaria hoje.

Ele contou que havia marcado um encontro fora dos lugares onde costumava ser visto.

Não havia motivo para muitas pessoas saberem do local.

Ele havia escolhido aquele galpão justamente porque acreditava que ninguém o seguiria até ali.

Mesmo assim, alguém chegou antes.

A pessoa não apenas o atacou.

Também encontrou o cachorro.

Prendeu o animal com uma corrente.

Fechou sua boca com uma abraçadeira industrial.

E deixou os dois naquele lugar.

Maeve olhou para o Cane Corso.

—Por quê?

—Porque ele viu.

O cachorro levantou a cabeça ao ouvir a voz do dono.

Maeve se aproximou e passou a mão pela pelagem enlameada.

—Viu o quê?

—Quem estava comigo quando tudo aconteceu.

Ela franziu a testa.

—Você tinha alguém com você?

—Tinha.

—E essa pessoa foi embora?

—Essa pessoa me entregou.

A frase ficou entre os dois.

Maeve não precisava conhecer todos os detalhes daquele mundo para entender que uma traição daquele tipo não era uma discussão entre conhecidos.

Era uma armadilha planejada.

E alguém havia contado exatamente onde o homem estaria.

—Então por que o cachorro está vivo? —ela perguntou.

O homem olhou para o animal.

—Porque ele alcançou um deles antes de ser preso.

Maeve sentiu um arrepio.

Ela se lembrou das manchas escuras na pelagem.

—O sangue não era todo dele.

—Não.

—E você sabe disso porque viu?

—Eu ouvi.

—Ouviu o quê?

O homem apontou discretamente para o fundo do galpão.

—O cachorro voltou antes de ser amarrado.

Maeve acompanhou o gesto.

Não havia ninguém ali.

A chuva continuava batendo no telhado de metal.

O som tornava difícil distinguir qualquer coisa além das respirações próximas.

—Ele voltou carregando alguma coisa? —ela perguntou.

O homem assentiu.

—A luva.

Maeve encarou o objeto em sua mão.

A luva agora parecia diferente.

Até então, era apenas uma pista.

Agora era uma ligação direta com alguém que havia estado no galpão.

Ela examinou o couro mais uma vez.

A parte rasgada perto do polegar parecia ter sido danificada durante uma luta.

Havia sujeira impregnada nas costuras.

E, escondida no punho, estava a pequena chave.

—O que essa chave abre?

O homem hesitou.

Foi a primeira vez que Maeve percebeu medo verdadeiro no rosto dele.

—Uma porta.

—Isso eu imaginei.

—Uma porta que não deveria existir.

Maeve ficou olhando para ele.

—Isso não esclareceu nada.

—Eu sei.

Ele tentou se levantar.

Apoiado no cotovelo, conseguiu erguer o corpo alguns centímetros antes de perder força novamente.

Maeve se ajoelhou por reflexo para ajudá-lo, mas parou antes de tocá-lo.

—Se eu ajudar você a sair daqui, vou entrar no seu problema.

—Você já entrou.

Ela não gostou da resposta.

—Ainda posso ir embora.

—Pode.

O homem olhou para a porta do galpão.

—Mas não deveria levar a chave com você.

Maeve sentiu o peso dela no bolso.

—Por quê?

—Porque agora quem deixou a chave na luva sabe que alguém encontrou.

A frase fez Maeve olhar para a entrada.

A chuva escondia parte da rua.

Por alguns segundos, ela não viu nada.

Então percebeu um detalhe.

A porta que ela havia deixado entreaberta estava se movendo lentamente com o vento.

Não havia ninguém visível do lado de fora.

Mas isso não significava que eles estavam sozinhos.

O Cane Corso também percebeu.

O corpo do animal ficou rígido.

Ele não latiu.

Apenas encarou a entrada.

Maeve segurou o cabo do estilete.

—Tem alguém aí?

Nenhuma resposta veio.

O homem fez um gesto para que ela não se aproximasse.

—Não acenda nada.

—Por quê?

—Porque se alguém estiver esperando ver movimento, saberá exatamente onde estamos.

Maeve se abaixou.

O galpão tinha poucos pontos de luz.

Ela conseguia enxergar o homem, o cachorro e a porta, mas o restante do espaço permanecia coberto por sombras comuns de um depósito abandonado.

—Você consegue andar?

—Se for necessário.

—Não foi isso que perguntei.

Ele soltou um suspiro curto.

—Consigo ficar de pé.

—Então vamos descobrir se consegue chegar até o carro.

O homem pareceu surpreso.

—Seu carro?

—Meu Civic.

—Você veio sozinha?

—Vim.

—Então vamos usar a sua saída.

Maeve não respondeu.

Ela sabia que estava cometendo uma escolha perigosa.

Mas também sabia que deixá-lo ali seria uma sentença.

E o cachorro já havia escolhido ficar perto dela.

Maeve passou um braço por baixo do homem para ajudá-lo a se levantar.

Ele era mais pesado do que parecia.

Quando conseguiu ficar em pé, segurou a parede e respirou fundo.

O Cane Corso imediatamente se posicionou entre os dois e a porta.

—Ele está protegendo você —Maeve disse.

—Não.

—Não?

—Ele está protegendo nós dois.

A resposta fez Maeve olhar para o cachorro.

O animal não tirava os olhos da entrada.

Eles avançaram poucos passos.

Foi quando o homem parou.

—O que foi? —Maeve perguntou.

Ele apontou para o chão.

Havia uma marca recente na poeira.

Um risco comprido atravessava o piso perto da porta.

—A porta foi aberta por dentro —ele disse.

Maeve olhou para ele.

—Você não abriu?

—Não.

O cachorro soltou um rosnado baixo.

Dessa vez, Maeve não tentou acalmá-lo.

Ela entendeu o que o animal estava percebendo antes mesmo de ouvir qualquer coisa.

Um som metálico veio do outro lado do galpão.

Depois outro.

Alguém havia encostado em alguma coisa.

O homem agarrou o braço de Maeve.

—Não corra.

—Por quê?

—Porque é exatamente isso que alguém esperando por nós quer.

Maeve olhou para a porta.

Depois para o cachorro.

Depois para o homem ferido.

A chave continuava no bolso do avental.

Ela finalmente entendeu por que ele tinha ficado tão preocupado quando ela encontrou a luva.

A chave não era apenas uma prova.

Era um convite involuntário para uma segunda armadilha.

—Você sabe onde ela leva —Maeve sussurrou.

—Sei.

—E a pessoa que fez isso também sabe que você sabe.

Ele assentiu.

—É por isso que você precisa decidir agora.

—Decidir o quê?

—Se vai me entregar para quem está lá fora ou descobrir por que queriam que eu morresse.

Maeve quase riu de nervoso.

—Você fala como se eu tivesse escolhido alguma dessas coisas.

—Você escolheu quando soltou meu cachorro.

Ela olhou para o Cane Corso.

O animal continuava bloqueando a entrada.

—Ele escolheu primeiro.

O homem balançou a cabeça.

—Não. Ele escolheu você.

Maeve sentiu a frase pesar mais do que deveria.

Ela não sabia nada sobre aquele homem.

Não sabia quantos inimigos ele tinha.

Não sabia se a história contada naquela noite era completa.

Mas sabia uma coisa.

O cachorro tinha sido amarrado porque alguém queria impedir que ele contasse, do único jeito que podia, o que havia visto.

E agora o animal estava tentando impedir que o mesmo acontecesse outra vez.

Maeve tomou a decisão.

—Vamos sair pelo fundo.

O homem apontou para uma passagem estreita.

—Aquela porta dá para o corredor lateral.

—Você consegue chegar lá?

—Consigo.

Ela passou o braço dele sobre os ombros.

Dessa vez, não hesitou.

O Cane Corso foi na frente.

A chuva continuava forte, mas o som de água escondia parte dos passos.

Quando chegaram à saída lateral, Maeve percebeu que o cachorro havia parado novamente.

Ele estava olhando para baixo.

No chão havia outra pequena marca de sujeira.

O homem se aproximou.

—Ele encontrou outro sinal.

Maeve se abaixou.

Era uma marca de sola.

Não era a mesma da luva.

Havia apenas uma impressão parcial na lama, perto da porta.

—Você conhece esse sapato? —ela perguntou.

O homem ficou alguns segundos em silêncio.

—Conheço.

—De quem?

Ele olhou para a chave no bolso dela.

—Da pessoa em quem eu mais confiava.

Maeve não perguntou o nome.

Ainda.

Ela ajudou o homem a seguir pelo corredor.

O cachorro permaneceu atrás deles por alguns segundos, como se conferisse se ninguém os seguia.

Depois correu para alcançar os dois.

O caminho até o carro parecia muito maior do que na ida.

Maeve conseguia sentir o frio atravessando o avental.

As mãos estavam dormentes.

O homem mancava.

Mas continuava andando.

Quando finalmente chegaram ao Honda Civic 1998, Maeve destrancou a porta do motorista.

O homem parou ao lado do carro.

—Você sabe o que está fazendo?

—Não.

—Isso é perigoso.

—Eu já percebi.

Ele olhou para ela por alguns segundos.

Então disse algo que Maeve não esperava ouvir.

—Obrigado por não ter soltado a minha mão quando percebeu quem eu era.

Maeve abriu a porta traseira para o cachorro.

—Eu não soltei porque ele ainda precisava de ajuda.

O homem olhou para o Cane Corso.

—É exatamente por isso que ele escolheu você.

O animal entrou no carro e se deitou, exausto.

Maeve ligou o motor.

O aquecedor demorou a responder, como sempre.

Mas dessa vez ela não estava pensando no frio.

Estava pensando na chave.

Na luva.

Na marca de sola.

E na pessoa que o homem havia acabado de identificar como alguém de sua confiança.

Antes que ela pudesse perguntar qualquer coisa, ele apontou para o bolso do avental.

—Não entregue essa chave a ninguém.

—Nem a você?

—Principalmente não a mim.

Maeve virou o rosto.

—Por quê?

Ele encarou a rua molhada pelo para-brisa.

—Porque, se minha suspeita estiver certa, a chave não abre a porta onde esconderam o que querem.

Maeve esperou.

—Ela abre a porta de onde começaram a me vigiar.

A frase mudou tudo.

A luva já não era apenas a lembrança deixada por um agressor.

A chave já não era somente uma pista.

E o homem que todos temiam acabava de admitir que talvez tivesse passado anos confiando na pessoa errada.

Maeve colocou o carro em movimento.

Atrás deles, o galpão ficou menor sob a chuva.

O Cane Corso levantou a cabeça no banco traseiro.

Ele não parecia mais assustado.

Parecia atento.

Como se soubesse que aquela noite ainda não havia terminado.

Maeve também sabia.

Ela havia encontrado um homem poderoso ferido e um cachorro abandonado.

Agora carregava consigo uma chave que poderia revelar quem havia preparado aquela armadilha.

E, pela primeira vez, o homem que todos evitavam parecia depender justamente da pessoa que não tinha nada a ver com aquele mundo.

A garçonete que deveria apenas jogar o lixo fora havia acabado de se tornar a única testemunha que o traidor não tinha previsto.

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