A Transferência Que Revelou O Segredo Escondido Por Alyssa-dieuphuong

A pasta caiu sobre a mesa de reunião, mas Connor já sabia que aquele momento não era apenas sobre dinheiro. Trinta minutos antes, Chloe havia colocado nas mãos dele os documentos que mudariam a forma como ele enxergava os últimos anos da própria vida.

— DL Creative Solutions — disse ela.

Ele não precisou perguntar o significado das letras. Dylan Lewis.

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O mesmo homem que apareceu no hospital enquanto Alyssa tentava convencer Connor de que tudo ainda fazia sentido. O mesmo homem que recebeu dela um tratamento diferente diante de uma cama onde o próprio namorado não conseguia lembrar nem do rosto dela.

Connor abriu o arquivo devagar. Havia pagamentos a fornecedores, contratos de consultoria, despesas de viagem e transferências repetidas. O nome de Dylan aparecia em quase todas as páginas.

Até aquele momento, Connor ainda tentava entender o vazio deixado pelo acidente. Sua memória estava intacta para quase tudo: a criação da Apex Designs, as primeiras noites trabalhando até tarde, os clientes que confiaram nele quando a empresa ainda era pequena, Mark sentado ao lado dele com café ruim e Chloe chegando quando cada novo contrato parecia uma vitória.

Mas havia uma parte inteira da história apagada.

Alyssa Reinhardt.

Ela tinha sido sua namorada por quase três anos. Morava com ele. Trabalhava com ele. Recebeu metade da empresa que ele construiu.

E agora Connor descobria que, enquanto ele estava internado, ela havia usado a posição dentro da agência para movimentar recursos ligados a Dylan.

A pergunta que antes parecia ser sobre memória começou a mudar.

Não era mais apenas “por que eu não lembro dela?”.

Era “o que aconteceu enquanto eu não conseguia lembrar?”.

Mark percebeu isso antes de todos.

Desde a primeira visita no hospital, ele parecia carregar uma mistura estranha de tristeza e alívio. Quando perguntava sobre Paris, sobre a casa e sobre o aniversário que Connor não conseguia recuperar, ele não parecia apenas testar a memória do amigo.

Parecia esperar que algumas lembranças nunca voltassem.

Quando Alyssa apareceu no hospital pela primeira vez, Connor percebeu algo que talvez não teria percebido antes do acidente. Ela não entrou como alguém preocupada em reencontrar o homem que amava.

Ela entrou preocupada com a situação.

— Você está falando sério? — foi a primeira coisa que disse.

Ela não perguntou como ele estava. Não perguntou se sentia dor. Não tentou entender o que os médicos haviam explicado.

Ela apenas olhou para ele como se a ausência da memória fosse uma ameaça.

Depois veio Dylan.

A mudança foi imediata.

A voz de Alyssa ficou mais leve. O corpo relaxou. Ela tocou o braço dele e o apresentou como alguém importante.

Para Connor, que não carregava mais três anos de justificativas emocionais, aquela cena parecia errada.

Duas semanas depois, quando recebeu alta, ele voltou para a casa onde tinha vivido uma história que não conseguia sentir.

Os objetos estavam lá.

A mesa de madeira.

A cozinha grande.

As roupas de Alyssa no armário.

Uma fotografia de Paris.

Mark explicou que naquela viagem Connor havia pedido Alyssa em casamento.

Ela nunca respondeu de verdade.

A fotografia continuou mostrando um homem apaixonado olhando para alguém que talvez já estivesse distante.

Naquela noite, Connor tomou uma decisão.

As coisas de Alyssa foram separadas.

Quando ela voltou com Dylan e ainda usando a própria chave, encontrou uma realidade diferente.

— Suas coisas estão prontas.

Ela tentou argumentar. Disse que ele estava confuso. Disse que eles tinham construído aquela vida juntos.

Connor concordou com uma parte.

Ele lembrava da vida que construiu.

Só não lembrava do papel dela nela.

— Eu lembro da Apex. Lembro do começo. Lembro das pessoas que estavam lá. O que eu não lembro é do que você fez para merecer metade dela.

Naquele instante, ele viu algo no rosto dela.

Não era tristeza.

Era cálculo.

No dia seguinte, Connor voltou ao escritório.

Chloe contou que muita coisa havia mudado durante sua ausência. Alyssa ocupou o antigo escritório dele poucos dias depois do acidente e direcionou parte da equipe para um projeto externo.

O nome desse projeto estava nos documentos.

DL Creative Solutions.

Connor colocou a pasta diante de Alyssa na sala de reunião.

Ela chegou usando um terno impecável, como se ainda tivesse controle sobre aquela sala.

Mas algo havia mudado.

Ele não era mais o homem tentando recuperar uma lembrança perdida.

Era o homem tentando entender uma escolha que tinha feito no passado.

Alyssa olhou para os papéis.

Pela primeira vez, ela demorou para responder.

Connor virou as páginas uma por uma até encontrar a maior transferência ligada a Dylan.

Foi naquele momento que ele entendeu a reação de Mark.

Talvez perder aquelas memórias não tivesse sido apenas uma tragédia.

Talvez tivesse revelado algo que todos ao redor dele sabiam, mas ninguém conseguia dizer.

A pergunta agora era outra.

Quanto da Apex ainda pertencia ao homem que a criou?

E quanto já havia sido entregue a alguém que nunca esteve realmente do lado dele?

Connor colocou o dedo ao lado do valor na página e empurrou a pasta aberta até Alyssa.

Ela olhou para o número.

E, pela primeira vez desde que ele acordou no hospital, não encontrou uma resposta rápida.

Porque aquele documento não era apenas uma conta.

Era o começo da verdade sobre a escolha que Connor fez quando ainda acreditava que amor era motivo suficiente para entregar tudo.

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