Dominic Rossi Já Conhecia Meu Nome Antes Dos Tiros No Hotel-dieuphuong

Quando meus olhos finalmente abriram, a primeira coisa que ouvi foi Dominic Rossi dizendo que eu precisava saber por que ele já me conhecia.

Minha garganta ardia por causa do tubo, meus braços pareciam pesados e havia um ruído constante vindo dos equipamentos ao redor da cama.

Tentei falar.

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Nenhuma palavra saiu.

Dominic estava ao meu lado, ainda usando a roupa da noite anterior. O rosto que eu tinha visto no hotel agora parecia diferente. Não havia o homem poderoso que todos observavam de longe.

Havia alguém que parecia ter passado horas tentando decidir se deveria me contar uma verdade capaz de mudar tudo.

Isabella estava perto da janela, segurando o terço entre os dedos.

Ela percebeu que eu estava acordada e se aproximou devagar.

“Ela ouviu você”, disse.

Dominic assentiu.

Então olhou diretamente para mim.

“Antes daquela noite, eu já tinha visto seu nome.”

Meu coração disparou.

Não por causa dos ferimentos.

Por causa da pergunta que apareceu imediatamente na minha cabeça.

Como?

Eu nunca tinha conhecido Dominic Rossi.

Nunca tinha trabalhado para ele.

Nunca tinha entrado em nenhuma propriedade da família Rossi antes daquela noite.

E, até poucas horas antes, eu nem sabia quem ele era pessoalmente.

Dominic percebeu a pergunta no meu rosto.

“Há anos, seu nome aparece ligado a uma coisa que minha família tentou esquecer.”

Isabella fechou os olhos por um instante.

Aquilo confirmou que ela também sabia de alguma parte da história.

Eu tentei levantar a mão, mas o movimento provocou uma dor que me fez parar.

Dominic imediatamente chamou a equipe médica.

Ele não queria que aquela conversa custasse mais uma gota de força que eu não tinha.

Mas eu precisava entender.

Minha mãe também estava naquela história?

A pergunta saiu quase sem som.

“Minha mãe?”

Dominic ficou imóvel.

Isabella foi quem respondeu.

“Ellen não contou tudo a você.”

Foi a primeira vez que ouvi o nome da minha mãe naquela conversa.

E foi o suficiente para transformar a preocupação em medo.

Durante anos, eu tinha acreditado que Ellen escondia apenas detalhes sobre o passado da nossa família porque não queria me preocupar.

Agora havia outra possibilidade.

Talvez ela tivesse escondido alguma coisa para me proteger.

Dominic puxou uma cadeira para perto da cama.

“Seu pai conheceu meu pai”, disse.

A frase pareceu absurda.

Eu não tinha lembrança de meu pai envolvido com os Rossi.

Na verdade, quase tudo que eu sabia sobre ele vinha das poucas histórias que minha mãe aceitava contar.

Dominic explicou que, muitos anos antes, uma operação financeira envolvendo pessoas próximas à família Rossi havia terminado mal.

Um documento desapareceu.

Uma ligação foi interrompida.

E uma testemunha que deveria ter protegido a verdade acabou desaparecendo da vida deles.

Ellen conhecia essa história.

Meu pai também.

Mas havia uma diferença.

Ellen tinha guardado uma cópia de algo que poderia provar quem havia manipulado aquela operação.

Dominic não disse que ela tinha roubado nada.

Disse apenas que, durante anos, acreditou que aquela cópia estivesse perdida.

Até o meu nome reaparecer.

“Quando seu nome apareceu nos registros ligados ao tratamento da sua mãe, eu reconheci o sobrenome”, ele explicou.

Eu pensei naquelas contas médicas.

Nas noites em que Ellen mal conseguia respirar.

Nas vezes em que eu chegava ao trabalho depois de passar horas tentando encontrar dinheiro suficiente para pagar o próximo procedimento.

De repente, até minha vida financeira parecia fazer parte de uma história que eu nunca tinha escolhido.

“Você me procurou?” perguntei.

Dominic balançou a cabeça.

“Não do jeito que você está pensando.”

Ele contou que vinha tentando descobrir se eu tinha alguma relação com Ellen antes de falar comigo.

Não queria assustá-la.

Não queria que ninguém soubesse que ele estava investigando aquela antiga ligação.

Mas naquela noite tudo saiu do controle.

O homem que tentou matar Isabella não estava ali por acaso.

Victor Costa tinha descoberto que Dominic estava novamente interessado naquela história.

E tinha descoberto que eu era a pessoa que poderia levar Dominic até Ellen.

Eu não era o alvo original.

Eu era a peça que faltava.

Aquela percepção me fez lembrar do corredor de serviço.

O homem do catering não tinha olhado para mim.

Ele procurava Isabella.

Eu só estava no lugar errado no momento certo.

Ou, talvez, no lugar certo para impedir que Isabella morresse.

Dominic apertou as mãos sobre os joelhos.

“Você salvou minha mãe sem saber quem ela era.”

Eu não respondi.

“E eu não consegui esquecer isso.”

Isabella se aproximou da cama.

“Foi por isso que ele tomou aquela decisão.”

Eu olhei para ela.

“Que decisão?”

Ela olhou para o filho.

Dominic demorou alguns segundos antes de responder.

“Eu precisava colocar você sob uma proteção que Victor não pudesse simplesmente ignorar.”

Minha cabeça ainda estava confusa.

“Proteção?”

“Meu nome.”

Ele disse aquilo sem orgulho.

Como se soubesse exatamente o peso daquela escolha.

“Enquanto você estivesse apenas sob segurança particular, alguém poderia esperar o momento certo e tentar de novo. Mas se você estivesse oficialmente ligada a mim, qualquer pessoa que tentasse chegar até você teria que enfrentar muito mais do que uma equipe de segurança.”

Foi então que percebi a palavra que ele evitava dizer.

Casamento.

Eu olhei para minha mão.

Havia um anel dourado no dedo inchado.

Eu não lembrava de tê-lo recebido.

Dominic acompanhou meu olhar.

“Eu fiz isso antes de você acordar.”

Meu coração pareceu parar por um instante.

“Você se casou comigo enquanto eu estava inconsciente?”

Ele não tentou suavizar a resposta.

“Sim.”

A palavra ficou entre nós.

Isabella se aproximou ainda mais.

“Foi uma decisão terrível de tomar”, disse ela.

Dominic concordou.

“E eu sabia que você poderia me odiar quando descobrisse.”

Eu queria ficar com raiva.

Mas estava fraca demais para transformar aquilo em alguma coisa além de uma pergunta.

“Por quê?”

Ele olhou para o anel.

“Porque eu precisava comprar tempo.”

Não amor.

Não romance.

Tempo.

Era uma explicação fria para uma decisão absurda.

Mas, naquele momento, fazia sentido.

Victor Costa já sabia que eu tinha sobrevivido.

Sabia onde eu estava.

E, se Dominic estivesse certo, sabia que eu poderia levar alguém até a verdade que ele queria destruir.

“E se eu disser que não quero esse casamento?” perguntei.

Dominic respondeu sem hesitar.

“Então ele acaba.”

Aquilo me surpreendeu mais do que o próprio anel.

“Mesmo com Victor atrás de mim?”

“Mesmo assim.”

Isabella olhou para o filho.

Foi a primeira vez que vi aprovação no rosto dela desde que acordei.

Dominic continuou.

“Eu posso proteger você sem exigir nada em troca. O casamento foi uma decisão minha, não uma dívida sua.”

Foi quando Enzo entrou no quarto.

Ele não pediu licença para falar.

“Encontramos uma coisa.”

Dominic levantou imediatamente.

Enzo colocou um envelope sobre a mesa ao lado da cama.

Não era uma pilha de documentos.

Não havia uma equipe inteira atrás dele.

Era apenas um envelope antigo, amassado nas bordas.

“Veio do apartamento de Ellen”, disse Enzo.

Meu peito apertou.

“Minha mãe está segura?”

“Está”, Dominic respondeu antes de Enzo.

Só então percebi que ele tinha tomado providências para manter Ellen protegida enquanto eu estava no hospital.

Enzo abriu o envelope.

Dentro havia uma única folha dobrada.

Dominic não a tocou.

Ele esperou que eu olhasse primeiro.

A folha trazia uma data de muitos anos antes.

E havia uma assinatura.

A assinatura do meu pai.

Minha respiração mudou.

Eu reconheci imediatamente.

Minha mãe guardava documentos antigos dele em uma caixa que eu tinha visto inúmeras vezes.

Mas havia outra coisa no papel.

Um segundo nome.

Rossi.

Dominic ficou atrás de mim enquanto eu tentava entender.

“Meu pai assinou isso”, ele disse.

“E o seu também.”

A história não era apenas sobre dinheiro.

Era sobre uma promessa feita entre duas famílias.

Ellen havia passado anos escondendo a existência daquele acordo porque sabia que alguém poderoso queria apagá-lo.

Mas o documento não provava que Dominic tinha participado daquilo.

Provava o contrário.

Dominic não sabia da parte mais importante.

Ele havia passado anos tentando descobrir por que seu próprio pai escondia aquele negócio.

E eu tinha acabado de perceber que minha mãe possuía a resposta.

O problema era que Victor Costa também sabia disso.

Enzo recebeu uma ligação.

Atendeu, ouviu por poucos segundos e desligou.

“Temos um problema.”

Dominic virou-se.

“Qual?”

“Alguém tentou entrar no prédio onde Ellen está.”

Meu estômago afundou.

Dominic olhou para mim.

A expressão dele mudou imediatamente.

“Ela saiu?”

“Sim. A equipe conseguiu tirá-la por uma saída secundária.”

Por alguns segundos, ninguém falou.

Minha mãe estava viva.

Mas agora eu sabia que o perigo tinha chegado até ela.

Dominic pegou o envelope.

“Isso não fica mais aqui.”

Eu segurei o braço dele antes que ele se afastasse.

“Não.”

Ele parou.

“Se esse documento é o que eles querem, não esconda de novo.”

Dominic olhou para minha mão sobre o braço dele.

“Você acabou de sair de uma cirurgia.”

“E você acabou de me contar que minha mãe está no meio disso.”

Minha voz falhou.

Mesmo assim, continuei.

“Então pare de decidir tudo sozinho.”

A frase mudou alguma coisa nele.

Pela primeira vez desde que eu acordara, Dominic não parecia o homem que controlava todos os cômodos em que entrava.

Parecia apenas alguém diante de uma escolha.

Ele voltou para a cadeira.

Colocou o envelope sobre a mesa.

E disse:

“Tudo bem. Então fazemos isso juntos.”

Foi assim que o anel deixou de ser apenas uma proteção imposta por uma emergência.

Ele se tornou uma pergunta que ainda precisava ser respondida.

Eu não sabia se aquele casamento sobreviveria.

Não sabia se poderia confiar em Dominic.

E muito menos sabia se o segredo de nossos pais poderia ser revelado sem destruir as duas famílias.

Mas havia uma coisa que eu sabia.

Eu não seria mais tratada como alguém que precisava apenas ser protegida.

Eu queria saber a verdade.

Na manhã seguinte, Dominic levou o documento até Ellen.

Eu ainda estava no hospital, mas participei da conversa por uma chamada segura.

Quando minha mãe viu a folha, começou a chorar.

Não de medo.

De reconhecimento.

“Eu pensei que isso tivesse desaparecido para sempre”, ela disse.

Dominic perguntou o que aquilo significava.

Ellen respondeu:

“Significa que seu pai não traiu o meu.”

Dominic ficou imóvel.

“Então quem traiu?”

Minha mãe demorou a responder.

“Victor Costa.”

Aquele nome já não era apenas o de um homem que havia contratado um atirador.

Era o nome de alguém que havia passado anos tentando controlar uma história que poderia destruir sua rede de poder.

O documento mostrava apenas uma parte.

Mas era a parte que faltava para entender por que Dominic reconheceu meu nome antes mesmo de me conhecer.

Ele não tinha me escolhido por acaso.

Ele tinha procurado minha família.

Só que não imaginava que eu acabaria salvando a mulher que ele mais amava.

E eu não imaginava que, naquela mesma noite, o homem que parecia ser meu maior perigo acabaria colocando o próprio nome entre mim e o homem que queria me silenciar.

Semanas depois, quando finalmente pude sair do hospital, eu ainda usava o anel.

Não porque Dominic tivesse exigido.

Não porque o casamento resolvesse tudo.

Mas porque eu ainda não tinha decidido o que queria fazer com ele.

Na porta do hospital, Dominic me esperava.

Ele não trouxe uma limusine cercada de homens.

Não fez nenhuma promessa grandiosa.

Apenas abriu a porta do carro e esperou.

Eu toquei o anel.

Depois olhei para ele.

“Isso ainda é um casamento?”

Dominic respondeu:

“Só se você quiser que seja.”

Foi a primeira vez que aquela união deixou de ser uma estratégia de proteção.

Porque, naquele momento, a escolha finalmente estava comigo.

Eu entrei no carro.

E deixei o envelope com minha mãe.

A verdade que havia começado com sete balas, um leito de UTI e um anel de ouro não terminaria com uma vingança.

Terminaria quando ninguém mais precisasse esconder o nome de quem realmente havia quebrado aquela promessa antiga.

E, pela primeira vez, Dominic Rossi não tentou decidir o que eu deveria fazer.

Ele apenas segurou a porta aberta e esperou pela minha escolha.

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