Ela Virou Noiva do Homem Mais Temido — E Alguém Já Sabia Seu Nome-dieuphuong

Fui eu quem impediu qualquer tentativa de me tirar dali: ninguém abriria a saída enquanto a origem daquele conhecimento sobre meu nome continuasse sem resposta.

Dominic não discutiu comigo dessa vez.

Ele apenas olhou para o segurança ao lado da porta e confirmou que minha decisão seria respeitada.

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— O portão continua fechado para qualquer saída envolvendo Claire.

Era uma diferença pequena nas palavras, mas eu percebi.

Ele não disse que eu ficaria porque ele tinha mandado.

Disse que eu ficaria porque eu tinha escolhido.

Vanessa ainda estava perto da escada, com os braços cruzados sobre o peito e uma expressão que misturava irritação e medo.

— Eu já falei tudo o que sei — disse ela.

— Não falou — respondi. — Você contou que alguém perguntou por Claire Bennett antes de você mencionar Bennett. Quero saber quem era essa pessoa.

Vanessa desviou os olhos.

Dominic percebeu.

— Você reconheceu a pessoa?

— Não exatamente.

— Essa resposta não existe hoje — falei.

Ela soltou o ar pelo nariz.

— Era alguém da equipe temporária. Pelo menos foi o que eu pensei.

Meu estômago se contraiu de novo.

Equipes temporárias eram normais em eventos daquele tamanho, principalmente quando fornecedores precisavam substituir funcionários de última hora, mas nenhuma pessoa deveria circular pela propriedade sem aparecer nos registros de produção.

Eu conhecia aqueles registros.

Eu tinha praticamente vivido dentro deles durante as dezenove horas anteriores.

— Quero a lista final de credenciais — falei.

Vanessa franziu a testa.

— Claire, isso é trabalho da segurança.

— Não. A segurança sabe quem entrou. Eu sei quem deveria ter entrado.

Dominic virou o rosto para mim.

Pela primeira vez desde que eu tinha acordado no quarto dele, havia algo diferente em seus olhos.

Não era proteção.

Era atenção.

A mulher mais velha apoiou as duas mãos sobre a bengala.

— Tragam o registro.

Um dos seguranças saiu.

Vanessa abriu a boca para protestar, mas fechei a distância entre nós antes que ela começasse.

— Ontem você passou horas me culpando por atrasos que começaram antes de eu chegar, por uma mesa que caiu quando já estava montada e por músicos que juravam ter recebido instruções diferentes das minhas.

— Você está dizendo que eu fiz aquilo?

— Estou dizendo que alguma coisa naquela noite não encaixou.

Eu queria acreditar que tinha sido apenas um evento ruim.

Eu queria acreditar que Vanessa só tinha sido a supervisora cruel de sempre.

Eu queria acreditar que os sete veículos do lado de fora eram consequência da mentira absurda de Dominic.

Mas alguém já tinha perguntado por mim antes do falso noivado existir.

O segurança voltou carregando uma pasta fina e algumas folhas presas por um clipe.

Não era um arquivo secreto da família Valenti.

Era muito pior para mim naquele momento: era a documentação comum de um evento que eu conhecia de cor.

Peguei as páginas antes que Vanessa pudesse alcançá-las.

Havia horários, empresas contratadas, funções, números de credencial e substituições autorizadas durante a noite.

Passei o dedo pelas linhas.

Floristas.

Músicos.

Serviço de mesa.

Equipe de apoio.

Então encontrei uma anotação perto do fim da lista.

Um funcionário temporário tinha recebido uma credencial de apoio depois das onze da noite.

— Quem autorizou isso?

Vanessa olhou.

— Eu.

Dominic ergueu o queixo.

— Por quê?

— Porque a equipe da sobremesa estava um desastre. Disseram que precisavam de mais uma pessoa para transportar material.

Virei a folha.

— Só que essa credencial não está associada à equipe da sobremesa.

Vanessa aproximou o rosto.

Eu apontei para o código.

— Esse prefixo era usado pelo apoio de serviço da ala oeste.

O segurança pegou a folha da minha mão e verificou.

— Ela está certa.

Dominic ficou imóvel.

— Onde essa credencial foi usada?

O homem hesitou antes de responder.

— Podemos verificar os registros de acesso interno.

— Faça isso.

Vanessa me encarou.

— Eu não sabia.

— Eu acredito que você não sabia disso — respondi. — O problema é que você estava tão ocupada tentando encontrar alguém para culpar que parou de perguntar por que tantas coisas estavam dando errado.

Ela abriu a boca.

Dessa vez, nenhuma resposta saiu.

Eu conhecia eventos.

Um atraso isolado era azar.

Dois fornecedores confusos podiam ser incompetência.

Uma sequência inteira de pequenas falhas, todas exigindo novas pessoas, novos deslocamentos e mudanças improvisadas de acesso, era outra coisa.

A mulher da bengala percebeu antes que eu terminasse de montar o raciocínio.

— Criaram ruído.

Assenti.

— Talvez.

Dominic me observava.

— Para fazer o quê?

— Eu ainda não sei.

Essa era a parte que mais me assustava.

Eu não era investigadora, não entendia as disputas que cercavam a família dele e não pretendia fingir que entendia.

Mas eu sabia reconhecer quando alguém transformava uma operação organizada em caos para que ninguém percebesse uma irregularidade pequena.

Eu fazia exatamente o contrário para viver.

Meu trabalho era eliminar essas brechas.

O segurança tocou o fone no ouvido.

Sua expressão endureceu.

— Encontramos a credencial.

Dominic virou para ele.

— Fale.

— Ela entrou no corredor de serviço da ala oeste durante a madrugada.

Senti meus dedos esfriarem.

— Que horas?

O homem consultou a informação que recebia.

— Pouco antes da meia-noite e meia.

Olhei para Vanessa.

Foi aproximadamente quando eu tinha ido procurar as roupas de mesa.

A mulher mais velha fez a pergunta que eu não queria fazer.

— Antes ou depois de Claire entrar naquela ala?

O segurança respondeu:

— Antes.

Meu coração bateu com força.

Dominic deu um passo na direção dele.

— E quando saiu?

Outra pausa.

— Minutos depois de ela entrar.

Aquilo mudou tudo.

Até aquele momento, havia uma explicação quase confortável para o perigo: alguém ouvira que uma organizadora tinha amanhecido no quarto de Dominic Valenti e decidira transformá-la em vantagem contra ele.

Era terrível, mas fazia sentido.

Agora não fazia mais.

A pessoa que usara aquela credencial já estava na ala oeste antes de Dominic ter qualquer relação comigo naquela noite.

O falso noivado não tinha criado o primeiro perigo.

Nem mesmo o fato de eu ter dormido no quarto dele tinha criado o primeiro perigo.

Eu simplesmente tinha entrado em um corredor onde alguém não queria ser visto.

— Ele estava lá quando eu cheguei — murmurei.

Dominic respondeu imediatamente.

— Você viu alguém?

Revirei a memória.

O corredor comprido.

As portas fechadas.

O peso nos meus pés.

A vontade desesperada de sentar por cinco minutos.

— Não.

— Tem certeza?

— Tenho.

— Ouviu alguma coisa?

Pensei de novo.

Então lembrei.

— Uma porta.

Dominic inclinou a cabeça.

— Que porta?

— Não sei. Quando eu estava entrando no corredor, ouvi uma porta fechando mais adiante. Nem olhei direito. Achei que fosse alguém da equipe.

A mulher mais velha baixou os olhos para a folha na minha mão.

— Mas quem estava ali não sabia que ela não tinha visto nada.

A frase ficou entre nós.

Agora eu entendia por que alguém tinha perguntado se Claire Bennett já tinha deixado a propriedade.

Não precisavam saber quem eu era antes da festa.

Só precisavam descobrir o nome da mulher que tinha entrado no corredor no momento errado.

E meu nome completo estava disponível na documentação comum da equipe.

Vanessa levou uma mão à boca.

— Meu Deus.

Dominic virou para ela.

— A pessoa que perguntou por Claire era o mesmo funcionário temporário?

— Eu não sei.

— Pense.

— Eu só falei com ele rapidamente. Ele estava sem casaco, usava roupa preta da equipe e perguntou se Claire Bennett tinha ido embora. Achei que fosse alguém tentando fechar o turno.

— E o que você respondeu?

Vanessa demorou demais.

— Que eu não sabia onde ela estava.

Eu estreitei os olhos.

— Só isso?

— Eu disse que você tinha sumido na ala oeste.

Dominic se afastou um passo e passou a mão pelo maxilar.

Vanessa continuou depressa:

— Eu estava irritada. Eu achava que ela tinha abandonado o evento.

— Você entregou a única informação que ele ainda precisava — falei.

Ela ficou pálida.

Até então, o desconhecido sabia meu nome e sabia que eu tinha cruzado a ala oeste.

Depois de falar com Vanessa, soube que eu não tinha retornado ao trabalho.

Talvez tivesse concluído que eu permanecia dentro da propriedade.

Talvez tivesse concluído que eu estava com os Valenti.

Talvez tivesse corrido para avisar quem o enviara.

O segurança recebeu outra mensagem.

— Senhor, um dos veículos avançou até a linha externa do portão.

Dominic não desviou os olhos de Vanessa.

— Tentaram entrar?

— Não. Estão esperando.

— Pelo quê? — perguntei.

Dominic finalmente olhou para mim.

— Por você.

Meu primeiro impulso foi rir, porque a alternativa era admitir que aquilo era real.

— Eu já disse que não vi nada.

— Eles não sabem disso.

— Então diga a eles.

— Eles não vão confiar em mim.

— E vão confiar no quê? Na sua história de que eu sou sua noiva?

A mandíbula dele se contraiu.

— Aquilo foi para aumentar o preço de chegar até você.

— Eu não sou uma negociação.

— Eu sei.

— Não sabia há uma hora.

A mulher mais velha olhou para Dominic, mas não o ajudou.

Ele tinha de responder sozinho.

— Não — disse ele. — Há uma hora eu estava tentando resolver o problema mais rápido do que ele podia crescer.

— E resolveu me transformando em parte da sua família sem me perguntar.

— Sim.

A resposta me desmontou por um segundo.

Eu esperava justificativa.

Recebi admissão.

— Foi errado — ele acrescentou.

Curto.

Sem espetáculo.

Eu ainda estava furiosa.

Mas alguma coisa havia mudado.

Dominic não tentou transformar a própria intenção em desculpa.

O segurança falou novamente.

— Estão pedindo uma confirmação de que a senhorita Bennett continua aqui.

Dominic endureceu.

— Não respondam.

— Espere — falei.

Ele virou para mim.

— Claire.

— Você acabou de dizer que errou por decidir por mim. Não faça de novo cinco segundos depois.

A mulher mais velha quase sorriu.

Dominic fechou a boca.

Eu caminhei até a mesa onde o registro de acesso estava aberto.

Era a única coisa concreta que tínhamos.

Um credenciamento irregular.

Uma entrada na ala oeste.

Uma saída logo depois da minha chegada.

Um homem perguntando pelo meu nome.

Não precisávamos inventar o que eu tinha visto.

A verdade era mais útil.

— Eles acham que eu testemunhei alguma coisa — falei. — Então o pior que podemos fazer é agir como se eu tivesse uma informação secreta.

Dominic entendeu.

— Você quer dizer a eles que não viu nada.

— Quero dizer exatamente o que aconteceu. Nada além disso.

— Isso pode não convencê-los.

— Talvez não. Mas continuar me escondendo atrás de um noivado falso só confirma que eu sou importante demais para ser uma simples testemunha acidental.

A mulher da bengala bateu a ponta da bengala uma vez no piso.

— Ela está certa.

Dominic lançou um olhar para ela.

— Não ajude.

— Eu não estou ajudando você.

Apesar de tudo, quase ri.

Foi a primeira vez naquela manhã que meu corpo pareceu lembrar como respirar normalmente.

A decisão foi simples, mas não segura.

A equipe do portão transmitiria apenas três fatos: uma funcionária do evento havia entrado por engano numa área privada, não tinha presenciado qualquer encontro e permaneceria na propriedade até que os veículos deixassem a entrada livre.

Nada sobre casamento.

Nada sobre romance.

Nada sobre o quarto.

Dominic quis acrescentar uma ameaça.

Eu o impedi.

— Se você ameaçar alguém agora, transforma minha versão em cobertura para uma guerra sua.

Ele me fitou por alguns segundos.

— Você realmente organiza festas?

— Principalmente quando ninguém tenta me sequestrar no café da manhã.

A mulher da bengala soltou uma risada baixa.

Vanessa não riu.

A mensagem foi transmitida.

O primeiro veículo permaneceu diante do portão.

Depois outro avançou alguns metros.

Minha pulsação acelerou.

Dominic não se moveu para a janela.

Dominic não deu uma ordem para atacar.

Dominic não tocou em mim.

Esperou.

Dois minutos depois, o segurança recebeu uma atualização.

— O primeiro carro está recuando.

Ninguém comemorou.

Ainda havia seis.

O segundo foi embora pouco depois.

Então o terceiro.

Quando restaram quatro, um deles permaneceu parado mais tempo do que os outros.

O segurança disse que uma nova pergunta tinha chegado pelo portão.

Queriam saber se a credencial usada na ala oeste havia sido identificada.

Dominic olhou para mim.

Era a confirmação que faltava.

Eles não estavam ali por causa de um romance inventado.

Estavam preocupados com o homem que tinha entrado onde não devia.

— Respondam apenas que o acesso foi registrado — falei.

O segurança esperou a autorização de Dominic.

Dominic fez algo que talvez ninguém naquela casa esperasse.

Apontou para mim.

— A decisão é dela.

A mensagem saiu.

O quarto veículo partiu.

Depois o quinto.

Os dois últimos demoraram mais, mas nenhum tentou atravessar o portão.

Quando finalmente os faróis desapareceram da estrada, eu não senti vitória.

Senti exaustão.

O perigo imediato tinha recuado porque o outro lado agora sabia que a brecha havia sido descoberta e que continuar pressionando uma testemunha que afirmava não ter visto nada só chamaria mais atenção para a própria operação.

Isso não apagava o que acontecera.

Também não transformava Dominic em meu salvador.

O segurança confirmou que a credencial temporária estava cancelada e que nenhum integrante daquela equipe teria novo acesso à propriedade até a revisão dos registros.

Vanessa se sentou numa das cadeiras perto da parede.

— Isso vai acabar com a minha carreira.

Olhei para ela.

A frase me acertou por um motivo estranho.

Era exatamente o medo com que eu tinha acordado naquela manhã.

Minha carreira.

Minha reputação.

Meu nome.

Tudo aquilo tinha sido usado como se pertencesse a outras pessoas.

Vanessa tinha usado meu nome para afastar de si a culpa pelos problemas do evento.

O desconhecido tinha usado meu nome para localizar uma possível testemunha.

Dominic tinha usado meu nome para inventar uma noiva.

— Sua carreira não é uma decisão minha — falei. — Mas o que aconteceu ontem vai ser registrado como aconteceu.

Ela ergueu os olhos.

— Você vai me denunciar para a empresa.

— Vou entregar os horários, as alterações e o que você mesma admitiu. Sem acrescentar nada.

Vanessa apertou os lábios.

Eu poderia ter tentado destruí-la naquele instante.

Não precisava.

Os fatos bastavam.

Quando ela saiu acompanhada por um segurança para prestar esclarecimentos sobre as credenciais temporárias, fiquei com Dominic e a mulher mais velha.

Foi ela quem quebrou o silêncio.

— Agora a parte difícil.

— Existe uma parte mais difícil? — perguntei.

Ela apontou com a bengala para minha camisa preta.

— Explicar isso.

Olhei para Dominic.

— Finalmente uma pergunta que é problema dele.

Ele soltou uma risada curta.

Eu não estava pronta para rir com ele.

Mas quase.

Subi para buscar minhas coisas e trocar de roupa antes de deixar a propriedade.

A camisa dele ficou dobrada sobre a cama.

Fiquei alguns segundos olhando para o tecido preto que, naquela manhã, tinha sido suficiente para fazer uma mulher desconhecida concluir alguma coisa sobre mim e para transformar dois seguranças adultos em homens visivelmente alarmados.

Dominic apareceu na porta, mas não entrou.

— Posso falar com você?

A pergunta parecia pequena.

Depois daquela manhã, não era.

— Pode.

Ele permaneceu no corredor.

— A saída está livre. Os carros foram embora e sua equipe pode buscar você quando quiser.

— Minha equipe?

— Sua empresa.

— Prefiro chamar um carro.

— Certo.

Nenhuma ordem.

Nenhum motorista imposto.

Eu coloquei minhas coisas na bolsa.

— E o noivado?

— Vou corrigir isso dentro da família e com quem recebeu a informação.

— Sem dizer que eu pedi segredo porque estou apaixonada por você ou alguma outra versão conveniente.

— Claire.

— Estou estabelecendo parâmetros.

— A informação será: não há noivado. Foi uma medida de proteção tomada por mim sem sua autorização.

Parei.

— Você vai admitir essa última parte?

— Vou.

Aquilo provavelmente custaria alguma coisa a um homem como Dominic Valenti.

Não perguntei o quê.

Era o custo da decisão dele, não uma dívida minha.

Peguei a camisa dobrada e estendi para ele.

— Acho que isso é seu.

Ele olhou para a peça, depois para mim.

— Tem certeza?

— Dominic.

— Só estou perguntando.

Entreguei a camisa.

Ele recebeu o tecido sem tocar meus dedos.

Foi embora primeiro.

Nas duas semanas seguintes, minha vida ficou menos cinematográfica e muito mais desagradavelmente real.

Houve relatórios internos, ligações da empresa, revisão de fornecedores e perguntas intermináveis sobre a sequência de problemas no evento.

Os registros mostravam que eu tinha seguido o plano aprovado até as alterações improvisadas começarem a se acumular, e a empresa não conseguiu sustentar a versão de Vanessa de que eu simplesmente tinha perdido o controle da noite.

Ela não tinha organizado uma conspiração.

Também não era inocente.

Sua necessidade constante de transferir culpa tinha criado exatamente o tipo de ambiente no qual uma pessoa estranha podia fazer perguntas, solicitar mudanças e receber respostas sem levantar suspeitas suficientes.

Eu me recusei a assumir a responsabilidade pelo comportamento dela.

Também me recusei a continuar trabalhando sob sua supervisão.

Quando perguntaram se eu aceitaria permanecer caso fosse transferida para outra equipe, pedi alguns dias para pensar.

Aos 31 anos, depois de construir minha reputação apagando incêndios criados por outras pessoas, percebi que eu não precisava transformar cada desastre em mais uma prova de resistência.

Acabei saindo.

Não porque minha carreira tivesse sido destruída.

Porque ela ainda era minha.

Dominic não telefonou durante esse período.

Não apareceu no meu apartamento.

Não mandou flores.

Não enviou seguranças disfarçados para me seguir, pelo menos nenhum que eu percebesse.

A única comunicação veio por meio de uma mensagem curta confirmando que a informação sobre o noivado tinha sido corrigida e que meu nome não seria usado em nenhuma declaração da família sem minha autorização.

Eu respondi com duas palavras.

“Obrigada. Certo.”

Três semanas depois, precisei voltar à propriedade dos Valenti para encerrar formalmente a documentação financeira do evento.

Dessa vez, entrei pela porta principal acordada, vestindo minha própria roupa e sabendo exatamente onde estava.

A mulher da bengala me recebeu perto do salão.

— Achei que você não voltaria.

— Ainda existem faturas.

Ela sorriu.

— Você é assustadoramente prática.

— Alguém nessa casa precisa ser.

Dominic apareceu alguns minutos depois.

Não havia seguranças atrás dele.

Não havia anúncio.

Não havia mão na minha cintura.

Ele parou a uma distância respeitosa.

— Posso convidar você para tomar café quando terminar?

Olhei para ele por tempo suficiente para fazê-lo esperar.

— Café profissional?

— Não.

— Reunião de segurança?

— Não.

— Estratégia para impedir sete carros de estacionarem na sua porta?

A boca dele se curvou.

— Espero que não.

Cruzei os braços.

— Então o que é?

— Um convite.

Era ridiculamente simples.

Talvez por isso eu tenha aceitado.

O café virou jantar alguns dias depois.

O jantar virou outro.

Nada aconteceu rápido.

Eu precisava descobrir quem Dominic era quando não estava tentando controlar uma crise, e ele precisava descobrir que perguntar não era uma formalidade antes de fazer o que já tinha decidido.

Às vezes ele errava.

Eu também.

Mas, sempre que a conversa chegava perto daquela primeira manhã, ele nunca transformava o que fizera em gesto romântico.

Chamava pelo nome certo.

Erro.

Meses depois, eu já estava trabalhando por conta própria quando fui à propriedade para organizar um jantar muito menor para a mulher da bengala.

Não havia equipes enormes, corredores lotados nem mudanças de última hora.

Eu tinha escolhido os fornecedores pessoalmente.

Vanessa não fazia mais parte da minha vida profissional.

O registro de acesso à ala oeste tinha sido reorganizado, e o episódio do funcionário temporário tinha deixado de ser uma ameaça diária, embora ninguém naquela casa tratasse o assunto como se nunca tivesse acontecido.

No fim da noite, derrubei café na manga da minha blusa enquanto revisava a última conta na cozinha.

Dominic estava ao meu lado.

Ele olhou para a mancha.

Depois olhou para mim.

— Posso oferecer uma solução sem transformar você em minha noiva?

Eu comecei a rir antes de conseguir impedir.

— Depende da solução.

Ele voltou alguns minutos depois carregando uma camisa preta.

Reconheci imediatamente.

A mesma.

Ele não colocou a peça nas minhas mãos.

Deixou-a sobre o encosto de uma cadeira.

— Se você quiser.

Olhei para a camisa que, meses antes, tinha anunciado para uma casa inteira uma história sobre mim que eu nunca tinha escolhido.

Depois olhei para Dominic.

— E se alguém interpretar errado?

— Eu pergunto a você qual é a interpretação certa.

Fiquei alguns segundos parada.

Então peguei a camisa.

Dessa vez, ninguém anunciou nada.

Dessa vez, nenhum portão foi fechado por minha causa.

Dessa vez, meu nome continuou sendo apenas meu.

Vesti a camisa porque quis.

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