Minha Nora Ocupou Minha Casa de Praia — Então Liguei Para a Advogada-dieuphuong

Por alguns segundos, ninguém disse nada depois que Claire explicou que Robert não era dono da casa e não tinha autoridade para oferecê-la como se fosse dele.

Megan tentou rir, mas o som morreu antes de parecer natural.

— Isso é uma questão de família — disse ela. — Robert nos convidou.

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Claire respondeu pelo viva-voz que ninguém estava discutindo quem tinha feito o convite; a pergunta era quem tinha autorização da proprietária para permanecer ali agora que eu havia deixado minha vontade clara.

A mãe de Megan apareceu no alto da escada usando meu roupão.

Ela parou quando percebeu que todos olhavam para ela.

— O que está acontecendo?

Megan respondeu rápido demais.

— Nada. Só uma confusão.

Olhei para Robert.

— Diga a verdade.

Ele segurou a cerveja com as duas mãos, como se precisasse dela para não cair.

Claire fez uma pergunta simples:

— Robert, você disse à sua esposa ou aos convidados que esta propriedade era sua?

Ele demorou tanto para responder que Megan finalmente se virou para ele.

— Robert?

Meu filho passou a mão pelo rosto.

— Eu disse que um dia a casa provavelmente seria nossa.

Ninguém se mexeu.

Ele continuou, quase num sussurro:

— E dei a Megan a chave reserva porque achei que não teria problema usar a casa quando você não estivesse aqui.

Foi naquele instante que a situação mudou para mim.

Até então, eu ainda conseguia imaginar Megan empurrando limites e Robert apenas sendo fraco demais para enfrentá-la.

Agora eu sabia que ele não tinha apenas permanecido em silêncio.

Ele tinha aberto a porta.

Megan olhou para ele como se aquela confissão fosse uma traição contra ela, não contra mim.

— Você disse que sua mãe quase nunca vinha — rebateu. — Disse que ela acabaria deixando tudo para você.

Robert fechou os olhos.

Eu não precisei perguntar se aquilo era verdade.

O rosto dele respondeu antes que a boca conseguisse.

A sala que Henry e eu levamos décadas para construir pareceu menor de repente, não por causa das pessoas, mas porque eu finalmente enxergava o tamanho da mentira que tinha sido acomodada ali.

Claire perguntou se eu queria manter minha decisão de retirar a permissão de todos os convidados.

— Quero.

Megan soltou o ar com força.

— Você vai expulsar meus pais no meio do fim de semana?

— Não — respondi. — Estou pedindo que as pessoas que entraram na minha casa sem minha autorização saiam dela.

— Isso é a mesma coisa.

— Para você, talvez.

Robert levantou a cabeça.

— Mãe, podemos conversar antes de fazer isso virar um desastre?

Olhei ao redor.

Havia vinho no meu tapete, areia no corredor, malas espalhadas diante de portas que eu nunca tinha oferecido a ninguém e um aviso pendurado no quarto onde ainda estavam as cartas que Henry escreveu para mim.

— O desastre aconteceu antes de eu chegar.

Uma das mulheres perto da janela pegou a bolsa sem dizer nada.

O homem que estava com o copo favorito de Henry o colocou sobre a mesa com extremo cuidado e murmurou que Megan havia contado a todos que a casa pertencia à família de Robert.

Outro convidado perguntou se eles deveriam ter sabido que eu morava ali.

Megan respondeu antes de mim.

— Ela não mora aqui o tempo todo.

Dessa vez, a indignação veio tão depressa que quase me fez rir.

— Então, quando eu saio para comprar pão, a casa também deixa de ser minha?

Ninguém respondeu.

Claire permaneceu em silêncio do outro lado da ligação, permitindo que eu conduzisse aquilo.

Era exatamente o que eu precisava.

Durante anos, eu havia confundido amor com a obrigação de tornar tudo mais fácil para Robert.

Quando o casamento dele começou, eu me policiava para não parecer uma sogra invasiva.

Quando Megan fazia comentários sobre a decoração, eu sorria.

Quando perguntava quanto valia o terreno, eu mudava de assunto.

Quando o irmão dela calculava em voz alta quanto a casa renderia durante a alta temporada, eu fingia não ouvir.

Quando ouvi a conversa no pátio seis meses antes, cheguei a me convencer de que talvez estivesse interpretando mal.

Ela não vai resistir para sempre.

A frase tinha ficado comigo.

Não porque eu temesse morrer.

Aos poucos, percebi que o que me feria era ouvir meu futuro sendo discutido como um atraso administrativo entre outras pessoas e o imóvel que elas queriam usar.

Foi por isso que procurei Claire.

Não contei a Robert porque ainda acreditava que conseguiria conversar com ele sem transformar aquilo numa guerra familiar.

Eu imaginava que sentaríamos na varanda, talvez com café, e eu explicaria que minhas economias continuariam destinadas a ele, assim como as lembranças de Henry que eu sabia que tinham significado para nós três.

Mas a casa seria diferente.

A casa precisava ficar protegida daquela expectativa de posse antecipada.

Eu nunca imaginei que descobriria, antes mesmo dessa conversa, que Robert já estava distribuindo chaves de algo que ainda era meu.

No alto da escada, a mãe de Megan percebeu finalmente que usava meu roupão.

Ela o apertou contra o corpo e desapareceu no quarto sem dizer nada.

Poucos minutos depois, voltou vestida, carregando uma mala.

— Megan nos disse que estava tudo acertado — falou, sem me encarar diretamente.

Eu acreditei nela.

Isso não apagava o fato de ela ter dormido no meu quarto, mas deixava claro que a versão que recebera não era a mesma realidade que eu conhecia.

— Agora você sabe que não estava — respondi.

Ela assentiu.

O pai de Megan desceu atrás dela com outra mala e colocou uma pequena chave sobre a mesa do corredor.

Reconheci imediatamente a cópia que costumava ficar com Robert.

Megan avançou e a pegou antes que eu pudesse.

— Isso é ridículo.

Estendi a mão.

— A chave.

Ela me encarou.

Robert falou baixo:

— Meg, entrega.

Foi a primeira vez desde que eu chegara que ele lhe pediu alguma coisa em minha defesa.

Mas aconteceu tarde demais para soar heroico.

Megan fechou os dedos ao redor da chave.

— Depois de tudo que fizemos por você, é assim que você trata minha família?

Eu precisei de alguns segundos para entender a frase.

Depois de tudo que fizeram por mim.

Lembrei dos aniversários que organizei, das contas de restaurante que paguei sem comentar, dos fins de semana em que cuidei das crianças para que eles viajassem e das inúmeras vezes em que Robert ligou dizendo que precisava de ajuda com alguma despesa inesperada.

Não levantei nenhuma dessas coisas como dívida.

Nunca ajudei esperando receber obediência em troca.

E foi justamente por isso que a acusação de Megan revelou algo importante.

Ela parecia acreditar que relações familiares funcionavam como uma contabilidade onde cada gesto criava direito sobre alguma coisa futura.

Minha casa tinha se tornado, na cabeça dela, a parcela maior dessa conta imaginária.

— Coloque a chave na mesa — repeti.

Robert se aproximou.

Megan olhou para ele.

— Você vai deixar sua mãe fazer isso com a gente?

Ele parecia um menino novamente, preso entre duas pessoas e esperando que uma delas decidisse por ele.

Por muitos anos, eu teria feito exatamente isso.

Teria salvado Robert do desconforto.

Dessa vez, fiquei calada.

Ele precisava escolher uma frase sem que eu a colocasse em sua boca.

— A casa é dela, Megan.

Ela piscou.

— O quê?

— Eu não deveria ter dado a chave.

— Você me disse que seria nossa.

— Eu disse o que era mais fácil dizer.

A confissão atingiu a sala com mais força do que qualquer grito.

Megan deixou a chave cair sobre a mesa.

— Então tudo isso é culpa sua.

Robert olhou para mim.

— Uma boa parte é.

Eu não senti alívio.

Talvez meses antes eu tivesse desejado ouvir exatamente aquilo, mas admitir responsabilidade não desfazia o que tinha acontecido.

Claire perguntou se eu ainda precisava dela na ligação.

— Só mais um minuto.

Peguei a chave e a coloquei no bolso.

— Claire, confirme uma coisa para que ninguém saia daqui inventando outra versão: Robert vai herdar esta casa?

Ela respondeu com cuidado.

— Nos termos atuais do planejamento que você assinou, não.

O rosto de Megan mudou.

Não foi uma transformação teatral.

Foi pior porque foi pequena.

Os olhos foram primeiro para Robert, depois para mim, depois para a casa ao redor.

Como se estivesse recalculando uma equação.

Robert também ficou imóvel.

— Você mudou o testamento?

— Mudei meu planejamento sucessório.

— Quando?

— Seis meses atrás.

Megan fez a ligação antes dele.

— Depois daquela conversa no pátio.

Eu a encarei.

Ela empalideceu.

Robert olhou de Megan para mim.

— Você ouviu?

— Cada palavra.

Ninguém precisou repetir a frase sobre eu não resistir para sempre.

Ela já estava entre nós.

Megan se defendeu imediatamente.

Disse que era apenas uma forma infeliz de falar, que eles estavam pensando no futuro, que famílias discutiam patrimônio o tempo todo e que eu estava transformando um comentário privado em prova de algum plano perverso.

— Não alterei nada por causa de uma frase — respondi. — Alterei porque aquela frase me fez prestar atenção em todas as outras.

Robert sentou no braço do sofá.

Pela primeira vez naquela tarde, parecia ter esquecido completamente os convidados.

— Então eu não recebo a casa.

Havia dor na voz dele.

Não raiva.

Isso ainda me atingiu.

Ele era meu filho.

Eu não tinha prazer algum em decepcioná-lo.

— Você receberá minhas economias conforme planejei e ficará com as lembranças de seu pai que sempre quis que fossem suas.

Ele olhou para o copo de Henry sobre a mesa.

— Mas não a casa.

— Não.

— Porque você acha que eu deixaria Megan transformá-la num aluguel.

— Porque ouvi vocês planejando exatamente isso antes que ela sequer fosse de vocês.

Megan interrompeu:

— Eu estava falando de uma possibilidade.

— E hoje você transformou a possibilidade em ensaio geral.

Dessa vez, ela não teve resposta.

Um a um, os convidados começaram a sair.

Não houve uma retirada dramática.

Houve algo muito mais desconfortável: pessoas carregando bolsas pela minha porta enquanto evitavam olhar para mim, pais chamando crianças, sandálias sendo procuradas debaixo do sofá e murmúrios baixos sobre quem havia entendido o quê.

Alguns se desculparam.

Outros simplesmente foram embora.

Eu não exigi explicações.

Eles tinham sido convidados para uma história falsa.

Meu problema estava com quem contou essa história.

Quando restavam apenas Megan, Robert e os pais dela, a mãe de Megan se aproximou do pequeno vaso azul.

— Fui eu que esbarrei nele — disse.

Olhei para a mancha de vinho.

— Ele quebrou?

— Acho que não.

Peguei o vaso e passei o dedo pela lateral.

Havia um risco novo perto da base, mas nenhuma rachadura.

Henry o comprara durante uma viagem ao Maine muitos anos antes porque eu havia parado diante de uma vitrine e dito que aquele azul me lembrava o mar antes de uma tempestade.

Ele voltou sozinho à loja enquanto eu tomava café e apareceu mais tarde escondendo o pacote atrás das costas.

O objeto nunca valeu muito dinheiro.

Era precisamente por isso que eu sabia que Megan jamais compreendera o que havia naquela casa.

Ela via metragem, temporada, localização, quartos.

Eu via quarenta e dois anos.

A mãe dela pediu desculpas.

Eu aceitei.

Megan soltou uma risada incrédula.

— Então minha mãe pede desculpas e fica tudo bem, mas comigo você muda seu patrimônio inteiro?

— Eu não mudei por causa de hoje.

— Claro que não. Você planejou isso escondida.

— Planejei o destino do que é meu sem pedir autorização às pessoas que esperavam receber.

Robert se levantou.

— Meg, chega.

Ela se virou para ele.

— Não, não chega. Sua mãe está fazendo você pagar por uma conversa.

Robert balançou a cabeça.

— Não é por uma conversa.

Megan ficou calada.

Ele olhou para mim.

— Eu sabia que você não tinha dado permissão para usar a casa assim.

Eu já sabia, mas ouvir foi diferente.

— Então por que fez?

Robert levou alguns segundos.

— Porque toda vez que eu dizia não para Megan, começava uma discussão. E toda vez que eu dizia não para você, você acabava cedendo.

Essa frase foi a única de toda a tarde que realmente me deixou sem resposta.

Não porque fosse cruel.

Porque era verdadeira.

Ele tinha aprendido alguma coisa comigo.

Não aquilo que eu pretendia ensinar, mas aquilo que minhas escolhas repetidas mostraram.

Eu dizia que queria respeito e depois removia as consequências sempre que ele ultrapassava um limite.

Eu chamava isso de amor materno.

Robert aprendera a chamar de caminho mais fácil.

— Então você escolhia decepcionar quem perdoava mais rápido — falei.

Ele abaixou os olhos.

— Sim.

Megan cruzou os braços.

— Impressionante. Agora eu sou a vilã porque ele nunca teve coragem de falar comigo.

— Você sabia que eu não tinha autorizado isso? — perguntei.

Ela hesitou.

Foi pouco mais de um segundo.

Mas foi suficiente.

— Robert disse que você não se importaria.

— Não foi o que perguntei.

Ela respirou fundo.

— Eu sabia que você provavelmente faria drama.

A mãe dela fechou os olhos.

Robert olhou para o chão.

E eu finalmente ouvi, sem nenhuma camada de educação por cima, a resposta que precisava.

Megan sabia que eu poderia dizer não.

Por isso decidiu que seria mais conveniente agir antes que eu pudesse dizer qualquer coisa.

Não havia mais confusão para resolver.

Só havia limites para estabelecer.

— Vocês dois vão embora hoje — disse.

Robert levantou os olhos.

— Eu também?

— Você trouxe pessoas para cá sabendo que eu não tinha autorizado.

A dor no rosto dele voltou.

— Mãe…

— Você pode voltar quando eu convidar.

Megan soltou outra risada curta.

— Agora ele precisa de convite para entrar na casa da própria mãe?

— Sim.

A palavra saiu simples.

Não precisei aumentá-la.

Robert assentiu devagar.

— Está bem.

Megan olhou para ele como se esperasse resistência.

Ele não ofereceu nenhuma.

Os pais dela já estavam próximos da porta.

Antes de sair, a mãe de Megan parou ao meu lado e disse que não sabia que aquele era meu quarto, nem que os objetos pertenciam a Henry.

— Megan disse que era o quarto de hóspedes principal.

Eu apenas assenti.

Mais uma pequena peça se encaixou.

Quando a porta fechou atrás deles, restaram apenas Robert e Megan.

Ele começou a recolher garrafas e copos.

— Não — falei.

Ele parou.

— Eu limpo.

— Não foi isso que quis dizer. Quero que você arrume o que trouxe para cá antes de sair.

Robert entendeu.

Durante quase quarenta minutos, meu filho carregou sacos de lixo, juntou copos, recolheu toalhas molhadas, colocou móveis de volta no lugar e levou malas até o carro.

Megan não ajudou no começo.

Ficou na varanda digitando no celular, provavelmente explicando aos parentes uma versão em que eu era a sogra cruel que arruinara o fim de semana.

Eu não fui atrás dela.

Não precisava controlar a história que contaria.

Precisava apenas controlar minha porta.

Quando Robert terminou a sala, subiu ao meu quarto.

Eu fui atrás.

O aviso ainda estava na maçaneta.

SUÍTE PARTICULAR — PAIS DE MEGAN.

Ele o arrancou devagar.

Sobre a cômoda, o relógio de Henry tinha sido deslocado para abrir espaço para cosméticos e frascos.

As cartas continuavam dentro da gaveta.

O livro favorito dele estava sob uma revista.

Nada parecia irreparável.

Mesmo assim, Robert permaneceu parado diante da cama como se finalmente entendesse por que aquilo não podia ser reduzido a um quarto ocupado por dois hóspedes.

— Eu devia ter pensado nisso — disse.

— Você pensou.

Ele me encarou.

— O quê?

— Esse é o problema. Você pensou que eu ficaria chateada e decidiu que seria mais fácil lidar comigo depois.

Ele não tentou negar.

Sentou na beirada da cama.

— Eu não queria que chegasse a isso.

— Quase ninguém quer a consequência quando escolhe o caminho que leva até ela.

Ele passou a mão pelo rosto novamente.

— Eu estraguei tudo.

— Você estragou uma coisa importante.

Ele esperou.

— Minha confiança.

A frase pareceu atingi-lo mais do que a notícia sobre a herança.

Foi quando eu soube que ainda havia alguma coisa entre nós que podia ser reconstruída.

Não naquele dia.

Talvez nem naquele verão.

Mas havia diferença entre alguém lamentar ter perdido um imóvel e alguém perceber que perdera a confiança da própria mãe.

Robert olhou para o relógio do pai.

— Você ainda pretende me deixar as coisas dele?

— Algumas. As que você amava por causa dele, não as que têm valor para vender.

Ele assentiu.

— Eu não quero vender nada do pai.

— Eu sei.

E eu sabia mesmo.

Robert podia ter sido covarde comigo, mas jamais demonstrara ganância pelas coisas pessoais de Henry.

Era importante não transformar uma falha numa definição completa de quem meu filho era.

Também era importante não usar essa nuance como desculpa para fingir que nada tinha acontecido.

Foi esse equilíbrio que eu nunca conseguira manter antes.

Quando descemos, Megan já estava junto ao carro.

Robert parou na porta.

— Posso ligar para você amanhã?

— Pode ligar.

— E vir conversar?

— Ligue primeiro.

Ele assentiu.

A pequena mudança no rosto dele me disse que havia entendido exatamente o significado da resposta.

Não era expulsão da minha vida.

Era o fim da entrada automática nela.

Megan entrou no carro sem se despedir.

Robert colocou a última mala no porta-malas e voltou até mim por alguns passos.

— Desculpa, mãe.

Eu não respondi que estava tudo bem.

Porque não estava.

Também não disse que nunca o perdoaria.

Porque eu não sabia disso.

— Vá para casa, Robert.

Ele foi.

Quando o último carro saiu, fiquei sozinha diante dos canteiros esmagados.

Durante alguns minutos, senti vontade de chorar por Henry.

Não apenas porque ele não estava ali, mas porque eu conseguia imaginar exatamente o que teria feito.

Ele nunca gostara de confronto, porém entendia portas, ferramentas, objetos e limites de uma forma quase física.

Se alguém usasse algo dele sem pedir, Henry não faria discurso.

Pegaria de volta.

Entrei.

Recoloquei nosso retrato de casamento no centro da lareira.

Lavei o copo favorito dele e guardei no armário.

Tirei a colcha da cama para remover a areia.

Depois limpei com cuidado a mancha ao redor do vaso azul e o coloquei novamente no lugar.

Só então encerrei a ligação com Claire, que ainda aguardava discretamente.

Antes de desligar, ela me perguntou se eu estava bem.

— Ainda não — respondi. — Mas estou na minha casa.

Na manhã seguinte, Robert ligou cedo.

Não pedi que viesse.

Conversamos por telefone durante quase uma hora.

Ele não começou falando de Megan, do trust ou da casa.

Começou falando da tempestade de quando tinha sete anos.

Eu não sabia que ele ainda lembrava.

— Eu falei que a casa tinha cheiro de paz — disse.

— Falou.

— Ontem percebi que tratei como se fosse um lugar que existia para mim, não para você.

Eu permaneci em silêncio.

Dessa vez, o silêncio dele tinha sido o problema durante anos.

O meu não precisava salvá-lo.

Ele continuou.

— Megan está furiosa comigo.

— Imagino.

— Ela acha que você fez tudo para puni-la.

— E você?

Demorou um pouco.

— Acho que você fez porque percebeu antes de mim no que a gente estava transformando a casa.

Essa resposta não consertou nada.

Mas foi a primeira vez que Robert descreveu a situação sem tentar colocar minha reação no centro do problema.

Nas semanas seguintes, ele ligou antes de aparecer.

Nas primeiras vezes, não apareceu.

Conversávamos pouco.

Eu precisava descobrir se aquela nova cautela era arrependimento verdadeiro ou apenas medo de perder mais alguma coisa.

Megan não me telefonou.

Soube por Robert que ela continuava dizendo que eu havia humilhado a família dela.

Talvez, do ponto de vista dela, fosse isso que tivesse acontecido.

Eu não tentei convencê-la do contrário.

Nenhum argumento meu mudaria uma pessoa que considerava humilhação ser informada de que não podia ocupar o quarto de outra mulher sem permissão.

Quase um mês depois, Robert pediu para me visitar sozinho.

Dessa vez, concordei.

Ele chegou carregando apenas uma pequena caixa de ferramentas.

— O que é isso?

Apontou para os canteiros junto à entrada.

— Eu vim consertar o que os carros estragaram, se você deixar.

Não transformei o gesto em redenção.

Também não o rejeitei só para provar que ainda estava magoada.

— Pode começar por ali.

Passamos a manhã trabalhando quase sem conversar.

Robert endireitou a borda do canteiro, substituiu duas peças quebradas da varanda e colocou as cadeiras no lugar em que sempre ficaram.

Depois entrou e viu o vaso azul sobre a mesa.

— Não quebrou.

— Não.

Ele passou o dedo perto do risco novo.

— Mas ficou marcado.

— Ficou.

Ele olhou para mim, e nenhum de nós estava falando apenas do vaso.

Não precisamos dizer isso em voz alta.

Antes de ir embora, Robert parou perto da porta.

— A chave antiga não funciona mais?

Eu tinha trocado o acesso depois daquele fim de semana.

Nada dramático.

Apenas uma consequência prática.

— Não.

Ele assentiu.

— Certo.

Não pediu outra.

Foi ali que percebi a diferença entre o filho que chegara um mês antes e o homem parado diante de mim naquele dia.

O primeiro acreditava que proximidade lhe dava acesso.

O segundo começava a entender que proximidade também exigia respeito.

Meses depois, Megan finalmente veio comigo até a varanda.

Não houve abraço, lágrimas ou pedido perfeito de desculpas.

Ela disse que estava com raiva porque, durante anos, imaginara um futuro que Robert nunca tinha o direito de prometer.

— Eu achei que já estava decidido — admitiu.

— Eu sei.

— E devia ter perguntado a você.

— Devia.

Ela respirou fundo.

— Não vou fingir que não fiquei decepcionada com a casa.

Eu quase sorri.

Pelo menos aquilo era verdadeiro.

— Você pode ficar decepcionada.

— Mas não é minha.

— Não.

Foi o mais perto que chegamos de uma reconciliação naquele momento.

E, curiosamente, bastou.

Eu não precisava que Megan gostasse da minha decisão.

Precisava que reconhecesse a fronteira entre desejar alguma coisa e possuir essa coisa.

Quanto a Robert, nossa relação mudou de forma mais lenta.

Ele continuou ligando antes de visitar.

Às vezes eu dizia sim.

Às vezes dizia que não era um bom fim de semana.

E ele aprendeu a ouvir as duas respostas sem transformar nenhuma delas em rejeição.

No verão seguinte, sentamos juntos no mesmo sofá onde ele havia se escondido de uma tempestade quando criança.

Uma chuva forte batia na varanda.

Robert olhou ao redor e respirou fundo.

— Ainda tem o mesmo cheiro.

— De quê?

Ele sorriu sem graça.

— De paz.

Olhei para a lareira.

Nosso retrato de casamento estava novamente no centro.

O copo de Henry estava guardado.

O vaso azul permanecia sobre a mesa, com o pequeno risco perto da base.

Eu poderia ter tentado apagá-lo ou escondê-lo.

Preferi deixá-lo ali.

Algumas marcas não diminuem o valor de uma coisa.

Elas apenas impedem que a gente finja que nada aconteceu.

Quando Robert foi embora naquela noite, caminhou até o carro e parou no meio da entrada.

— Mãe?

— Sim?

— Obrigado por ainda me deixar voltar.

Pensei em todas as noites em que, depois da morte de Henry, eu deixava a luz da varanda acesa caso Robert aparecesse sem avisar.

Eu achava que aquilo era amor: uma porta sempre disponível, uma luz permanente, nenhuma pergunta.

Agora sabia que podia amar meu filho sem entregar a ele cada chave.

— Você sempre pode perguntar — respondi.

Ele assentiu e entrou no carro.

Esperei até as lanternas desaparecerem pela estrada.

Depois entrei, fechei a porta e coloquei a chave no lugar.

Naquela noite, a luz da varanda continuou acesa — não para quem presumisse que podia entrar, mas para quem ainda soubesse bater.

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